O Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), em parceria com outras instituições meteorológicas brasileiras, divulgou uma nota técnica em 19 de junho alertando sobre uma altíssima probabilidade de ocorrência do fenômeno El Niño durante o segundo semestre de 2026. As projeções, baseadas em dados do Climate Prediction Center (CPC) da National Oceanic and Atmospheric Administration (NOAA), indicam que há mais de 95% de chance de persistência do El Niño no período, podendo se prolongar até o início de 2027.
O que é o El Niño e seu impacto global
O El Niño corresponde à fase quente do chamado El Niño-Oscilação Sul (ENOS), caracterizada pelo aquecimento anômalo das águas superficiais do Oceano Pacífico Equatorial. Esse fenômeno altera os padrões de circulação atmosférica e o transporte de umidade, impactando o clima em diversas partes do planeta.
Segundo Enver Ramirez, chefe da Divisão de Previsão do Tempo e Clima do INPE, o El Niño resulta de interações complexas entre o oceano e a atmosfera. Pequenas variações nesses sistemas podem alterar a duração, intensidade e os efeitos do fenômeno em múltiplas regiões, inclusive no Brasil.
Efeitos previstos nas regiões brasileiras
A nota técnica destaca que os impactos do El Niño costumam variar bastante entre as regiões brasileiras. Para o Norte e o Nordeste, espera-se diminuição das chuvas, o que pode acentuar quadros de seca, sobretudo na porção oriental da Amazônia — com redução de níveis de rios, prejudicando navegação, pesca e abastecimento local. Além disso, há risco aumentado de queimadas e incêndios florestais, principalmente entre agosto e setembro.
Na região Sul, as previsões indicam aumento das chuvas, podendo elevar o risco de tempestades e enchentes. Já no Sudeste e Centro-Oeste, tende-se ao aumento das temperaturas médias e de ondas de calor, com possíveis períodos prolongados de estiagem em algumas áreas. Esse cenário desafia o abastecimento de água, a geração de energia e coloca em alerta a saúde pública, especialmente de populações vulneráveis como idosos, crianças e pessoas com doenças crônicas.
Alerta para planejamento e prevenção
O meteorologista Fábio Rocha, do INPE, aponta que episódios de El Niño geralmente se associam a temperaturas acima da média em muitas regiões do país, podendo ampliar o número e a intensidade de ondas de calor. A chance de saúde impactada, problemas na agricultura e no fornecimento de energia elétrica mobilizam órgãos públicos e o setor produtivo a adotar medidas preventivas.
As instituições envolvidas reforçam que a nota técnica tem como propósito subsidiar o planejamento estratégico de governos, empresas e da sociedade civil. O monitoramento das condições oceânicas e atmosféricas seguirá sendo realizado com atualizações regulares para informar sobre possíveis mudanças nas previsões.
O INPE orienta que a população acompanhe periodicamente os boletins e alertas publicados pelos canais oficiais das entidades meteorológicas, buscando sempre informações confiáveis para adaptação e tomada de decisões diante de fenômenos climáticos relevantes.
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