A experiência da China na expansão das usinas hidrelétricas reversíveis está se consolidando como referência global em transição energética. O Brasil, detentor de vasto potencial hidrelétrico, observa com atenção o modelo chinês como caminho para ampliar sua própria capacidade de armazenamento e garantir maior confiabilidade ao sistema elétrico nacional.
China combina liderança em fósseis e renováveis
O caso chinês é emblemático: mesmo sendo o maior gerador mundial de energia a partir de combustíveis fósseis, com o carvão representando cerca de 60% de sua matriz elétrica, o país também lidera em fontes renováveis. Em 2024, a China adicionou mais de 400 GW em eólica e solar, ultrapassando, com seis anos de antecedência, sua meta de 1.200 GW previstos para 2030.
Esse avanço revela uma estratégia bem definida pautada por segurança energética, competitividade industrial e liderança tecnológica. O mesmo tripé é aplicado ao tema do armazenamento de energia, especialmente por meio de hidrelétricas reversíveis, tecnologia na qual a China já detém um terço de toda a capacidade instalada global.
Crescimento acelerado nas hidrelétricas reversíveis
Em 2023, a China incorporou cerca de 7,75 GW em usinas reversíveis, enquanto mantém outros 91 GW em construção. As estimativas indicam que o país pode superar 120 GW de capacidade instalada nesse segmento até 2030 — consolidando sua posição à frente globalmente no uso estratégico do armazenamento hídrico.
Potencial e desafios para o Brasil
Embora os contextos industriais e de desenvolvimento entre Brasil e China sejam diferentes, especialistas apontam que o Brasil possui larga competência técnica e um potencial hidrelétrico significativo para investir em usinas reversíveis, impulsionando tanto sua transição energética quanto a confiabilidade do seu sistema interligado.
Avanços recentes já foram registrados: o Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) publicou duas resoluções importantes em 2026. A Resolução nº 7 determinou que a Empresa de Pesquisa Energética deve identificar e desenvolver projetos hidrelétricos com capacidade de armazenamento, e a Resolução nº 8 definiu diretrizes para estudos e contratação de serviços desse tipo por meio de leilões e outros mecanismos competitivos.
Para que a expansão das hidrelétricas reversíveis avance de modo efetivo, será necessário planejamento de longo prazo, rigor técnico, e políticas públicas consistentes, de modo a selecionar os projetos de maior viabilidade para a realidade brasileira.
O que esperar dos próximos anos
A implementação das hidrelétricas reversíveis no Brasil pode fortalecer ainda mais a matriz renovável nacional, reduzindo a dependência de térmicas e promovendo maior estabilidade ao sistema elétrico, sobretudo em cenários de alta variabilidade climática. A experiência chinesa mostra que, com investimento coordenado e diretrizes claras, é possível acelerar esse processo e posicionar o Brasil também como referência internacional em armazenamento de energia renovável.
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