O mês de agosto será marcado por extremos climáticos em praticamente todo o Brasil, segundo especialistas ouvidos por veículos nacionais. A principal causa é o El Niño, fenômeno de aquecimento anormal das águas superficiais do Oceano Pacífico, que seguirá impactando o país durante este período.

Efeitos do El Niño nas diferentes regiões

As previsões indicam temperaturas acima da média em todas as regiões, mas com efeitos variados. No Sul, a expectativa é de aumento de chuvas intensas, temporais e riscos de granizo, ventos fortes e alagamentos urbanos. O meteorologista Franco de Assis Diniz, do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), explica que a atmosfera continuará instável, favorecendo episódios extremos e a formação de ciclones extratropicais na região.

No Sudeste e no Centro-Oeste, a previsão aponta para calor fora do padrão, associado à baixa umidade. Essas condições podem agravar problemas respiratórios e ampliar riscos para a saúde da população.

Já o Norte e o Nordeste devem registrar menos chuvas, cenário que potencializa queimadas, especialmente em estados como Pará, Tocantins, Goiás e sul da Bahia. Nessas áreas, o alerta é para o avanço de focos de incêndio, em linha com o que já é típico do período de estiagem.

Eventos extremos e influência do El Niño

O El Niño se intensificou em junho deste ano e, conforme o meteorologista Diogo Arsego, do Centro de Previsão do Tempo e Estudos Climáticos (CPTEC/Inpe), deve seguir até o início de 2027, atingindo seu auge nos meses de outubro e novembro. Entre os fenômenos previstos para agosto, destaca-se a formação de um ciclone extratropical no Sul, com potencial de rajadas de vento de até 95 km/h, principalmente entre o Rio Grande do Sul, Argentina e Uruguai.

O impacto desse fenômeno é reforçado por dados recentes. Em julho, o Rio Grande do Sul foi atingido por sucessivos temporais: vendavais com granizo destruíram dezenas de casas e deixaram centenas de pessoas desalojadas. Houve ainda registros pontuais de tornados e de chuvas que afetaram quase 50 municípios em poucos dias. Especialistas não descartam novos episódios semelhantes ao longo do mês.

Chuvas no litoral e riscos de desastres

Apesar da tendência geral de seca em Norte e Nordeste, áreas do litoral dessas regiões permanecem sob atenção. Um boletim recente do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden) aponta risco moderado de enchentes e deslizamentos em cidades como Maceió, Recife, João Pessoa e Natal. O solo já úmido e a possibilidade de novas chuvas podem gerar episódios de alagamentos urbanos e deslizamentos de encostas.

No campo agrícola, a instabilidade climática e o padrão de calor intenso podem afetar a produtividade das safras, principalmente no Centro-Oeste e Sudeste. Agricultores e gestores públicos locais estão sendo orientados a monitorar as previsões semanais para tomar medidas preventivas diante dos riscos de extremos.

Tendências para o restante do mês

A primeira quinzena de agosto pode ser marcada pela chegada de uma nova massa de ar polar no Sul, Sudeste e parte do Centro-Oeste, causando um breve período de frio. Na sequência, as temperaturas devem voltar a subir rapidamente, repetindo o padrão de extremos observado nos últimos meses. Meteorologistas reforçam que a situação requer acompanhamento constante, já que a variabilidade do clima pode alterar prognósticos em curto prazo.

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