O Brasil registrou entre agosto de 2025 e julho de 2026 o menor índice de área sob alerta de desmatamento na Amazônia dos últimos dez anos. Segundo o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), foram 2.874,38 km² sob alerta, representando uma queda de 36,87% em relação ao período anterior. Os dados do sistema Deter, divulgados nesta sexta-feira (7), também mostram recuo no Cerrado – onde a redução atingiu 7,8%.
Queda significativa na Amazônia e Cerrado
No bioma amazônico, a diminuição do desmate se destaca especialmente no Mato Grosso, que reduziu em 49% sua área sob alerta. O Amazonas teve redução de 46,7%, e Rondônia apontou queda de 41,2%. Em contrapartida, Roraima registrou aumento de 32,5%. Já no Cerrado, Piauí liderou o recuo com 51,2%, seguido pela Bahia com 27%, enquanto Minas Gerais apresentou alta de 72,5% na degradação.
Políticas públicas e metas ambientais
O anúncio foi feito em coletiva no Inpe, em São José dos Campos, com participação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O governo federal tem como meta atingir o desmatamento zero até 2030, compromisso reafirmado durante a campanha eleitoral de 2022. Para isso, retomou o Plano de Ação para Prevenção e Controle do Desmatamento na Amazônia (PPCDam), com foco em fiscalização e incentivo para que os municípios coíbam práticas ilegais.
Durante discurso, Lula destacou que, mantido o empenho, o país pode alcançar a meta: “Os números estão indicando que, se a gente continuar no ritmo e com a seriedade que estamos, podemos atingir esse objetivo.”
Impacto ambiental e repercussão
Segundo o Observatório do Clima, as reduções recentes mostram que o Brasil encontrou o caminho para controlar a devastação. O Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (Ipam) calcula que a diminuição evitou a emissão de 2,238 bilhões de toneladas de CO2 equivalente à atmosfera. Esse volume equivale ao total bruto gerado pelo país em um ano.
Apesar do avanço, o Observatório alerta para propostas no Congresso que podem fragilizar a legislação ambiental. Um dos pontos críticos é o projeto que reclassifica parte da Floresta Nacional do Jamanxim (PA) para Área de Proteção Ambiental (APA), flexibilizando regras e permitindo regularização fundiária, além de atividades econômicas como pecuária e mineração.
Perspectivas e desafios
Especialistas consideram o recuo do desmatamento um legado ambiental do atual governo, essencial para a agenda climática global. No entanto, o fim definitivo da destruição depende de avanços Legislativos e maior coerência interna no governo.
A redução do desmatamento coloca o Brasil em posição de destaque internacional na luta contra as mudanças climáticas e emissões de carbono. O país agora enfrenta o desafio de manter avanços e garantir a proteção das florestas, diante de pressões por flexibilização das leis ambientais.
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