Com o aumento recente dos casos de sarampo no estado de São Paulo, especialmente nas cidades de São Paulo, Guarulhos e São Bernardo do Campo, autoridades de saúde intensificaram a campanha de vacinação. Todos os moradores dessas regiões, de seis meses a 59 anos, são orientados a receber uma nova dose do imunizante, independentemente do histórico vacinal, para conter a expansão do surto.
Histórico da vacina contra o sarampo no Brasil
A vacina contra o sarampo faz parte do calendário nacional desde 1973, quando foi implantado o Programa Nacional de Imunizações (PNI) no Brasil. Antes disso, a aplicação era descentralizada e sem padronização. Desde então, a rotina de vacinação sistemática ajudou a reduzir drasticamente a mortalidade infantil relacionada ao sarampo e é considerada uma das campanhas mais bem-sucedidas em saúde pública no país.
Como funciona a vacina: proteção comprovada
O imunizante utilizado é a vacina tríplice viral, que contém vírus vivos atenuados, incapazes de causar a doença, mas eficientes para ativar o sistema imunológico contra três doenças: sarampo, caxumba e rubéola. Em algumas situações, como a tetraviral, há a inclusão da varicela (catapora). De acordo com o Ministério da Saúde, são necessárias duas doses, aplicadas a partir dos 12 meses, para a proteção ideal. Em cenários de risco elevado, a chamada “dose zero” pode ser aplicada a partir dos 6 meses de idade.
Estudos e dados globais confirmam a eficácia: uma dose confere aproximadamente 93% de proteção contra o sarampo, enquanto duas doses elevam esse índice a cerca de 97%. A Organização Mundial da Saúde estima que, apenas de 2000 a 2024, cerca de 59 milhões de mortes foram evitadas no mundo por conta da vacinação.
Segurança e indicações: quem pode tomar a vacina
A vacina tem um perfil de segurança altamente favorável. As reações adversas normalmente são leves e autolimitadas, como dor, vermelhidão ou inchaço no local da aplicação, febre baixa e manchas vermelhas esporádicas. Em casos raros, pode ocorrer febre mais alta ou aumento dos gânglios linfáticos. Situações graves são extremamente incomuns, como ressaltado pelo Ministério da Saúde.
Apesar da indicação ampliada em situações de surto, há contraindicações: gestantes, pessoas com imunossupressão grave, menores de 6 meses e quem tem histórico de reações alérgicas graves devem evitar a vacinação. Mulheres em idade fértil devem aguardar pelo menos um mês após a vacina antes de engravidar.
Cobertura e desafio atual
No Brasil, a cobertura vacinal reduziu nos anos recentes, principalmente durante a pandemia. Em fevereiro de 2026, a cobertura da primeira dose já alcançava 94%, mas a segunda dose estava em 79%, de acordo com o Ministério da Saúde. Manter índices acima de 95% é vital, uma vez que o sarampo é extremamente contagioso: uma pessoa infectada pode transmitir o vírus a até 18 outras pessoas não imunizadas. Com altas taxas de vacinação, populações inteiras se protegem, inclusive os que não podem tomar a vacina.
Com a história e a eficácia comprovadas, a orientação dos órgãos de saúde para a vacinação ampliada nas cidades em surto é fundamental para interromper a circulação do vírus.
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