O valor do salário mínimo necessário para sustentar uma família de quatro pessoas no Brasil deveria chegar a R$ 8.110,92, conforme aponta pesquisa do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (DIEESE). Em contraste, o piso nacional vigente é de R$ 1.621, demonstrando uma diferença de mais de R$ 6 mil entre o ideal e o real. A análise considera os gastos previstos constitucionalmente, incluindo alimentação, moradia, saúde, educação, vestuário, higiene, transporte, lazer e previdência.

Cesta básica consome mais da metade da renda

Nas 27 capitais avaliadas em conjunto pelo DIEESE e pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), foi constatado que o trabalhador precisa destinar, em média, 52% de sua renda líquida apenas para adquirir a cesta básica. Em São Paulo, onde o custo chegou a R$ 965,47 em junho, foram necessárias mais de 131 horas de trabalho – o equivalente a dois terços do salário mínimo líquido. Outras capitais com cesta acima da média foram Cuiabá, Rio de Janeiro, Florianópolis e Porto Alegre.

Na região Nordeste, embora o valor absoluto da cesta seja menor, como em Aracaju (R$ 630,40), ainda se faz necessário trabalhar cerca de 85 horas no mês só para garantir a alimentação básica. Esse cenário revela que, mesmo com diferenças regionais marcantes, o peso da alimentação sobre o orçamento das famílias trabalhadoras é significativo em todas as regiões.

Alta de preços e impacto regional

A pesquisa mostra que o custo da cesta básica aumentou em 17 das 27 capitais em junho. As maiores altas mensais foram registradas em Boa Vista (3,28%) e Palmas (3,01%). Por outro lado, cidades como João Pessoa e Recife tiveram quedas, mas também enfrentaram aumentos expressivos ao longo dos últimos 12 meses. No acumulado anual, Cuiabá, Aracaju e Belo Horizonte lideram o ranking de maiores aumentos, com altas acima de 12%.

Já no primeiro semestre de 2026, todas as capitais do Brasil viram os preços da cesta básica subirem. O destaque negativo foi Fortaleza, com aumento de 21,48% desde o final de 2025, enquanto São Luís registrou uma alta mais moderada, de apenas 4,02%.

Distância crescente entre salário e custo de vida

O levantamento do DIEESE reforça que a defasagem do salário mínimo em relação ao custo de vida tem se acentuado. Em junho de 2025, o valor necessário já era de R$ 7.416,07, saltando para mais de R$ 8 mil no mesmo mês do ano seguinte. O valor efetivamente pago, no entanto, teve aumento bem inferior, corroído pela inflação dos alimentos e outros itens essenciais.

Além disso, o tempo de trabalho exigido para adquirir alimentos tem crescido: são necessárias mais de 105 horas mensais para comprar a cesta nas capitais. Isso reduz drasticamente os recursos do trabalhador para outras despesas fundamentais, limitando o acesso a consumo, lazer e investimentos em educação ou saúde.

O desafio para o trabalhador brasileiro

O cenário aponta que o salário mínimo atual cobre menos da metade do valor considerado necessário para uma existência digna segundo os parâmetros constitucionais. Essa discrepância resulta em dificuldades para milhões de famílias que dependem exclusivamente do piso nacional para sobreviver.

Enquanto não há perspectivas imediatas de ajuste significativo no salário mínimo, cresce a pressão sobre o orçamento familiar, principalmente diante da inflação persistente e da elevação nos custos básicos.

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