O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, assinou uma ordem executiva nesta segunda-feira (10/8) propondo a redução do número de vacinas recomendadas na infância e alterando o esquema de aplicação da tríplice viral, que imuniza contra sarampo, caxumba e rubéola. Atualmente, os Estados Unidos seguem as orientações da Academia Americana de Pediatria, que recomenda 18 vacinas obrigatórias para crianças. A ordem executiva promove a fragmentação da imunização, priorizando aplicações separadas ao invés da tradicional dose combinada.

Entenda a nova proposta de Trump para as vacinas infantis

Segundo Trump, as crianças de décadas atrás recebiam menos vacinas do que hoje e, segundo ele, eram "mais saudáveis", alegando ainda - sem base científica - uma correlação entre imunização e aumento nos casos de autismo. Diversas pesquisas, entre elas um grande estudo dinamarquês com mais de 650 mil crianças divulgado em 2019, já descartaram qualquer ligação entre vacinas e autismo. Mesmo assim, o presidente republicano defendeu que o número de vacinas obrigatórias seja reduzido para 11.

A medida sugere ainda o fracionamento da tríplice viral em doses separadas. Porém, autoridades de saúde norte-americanas, como os Centros de Controle e Prevenção de Doenças (CDC), alertam que isso pode elevar o risco de doenças infantis, ampliando intervalos desnecessários entre as aplicações e dificultando o cumprimento do calendário de imunização. Não há evidências científicas que indiquem maior segurança ao separar a aplicação da vacina.

Reação negativa da comunidade médica

A proposta de Trump foi amplamente criticada pela comunidade médica. Andrew Racine, presidente da Academia Americana de Pediatria, declarou que a ordem é "desanimadora" e "perigosa", ainda mais em um cenário de aumento de casos de sarampo, o mais elevado em 35 anos nos EUA. Racine enfatizou que não existem novas evidências para justificar as mudanças sugeridas e destacou a importância do acesso universal às vacinas.

Da mesma forma, Bill Cassidy, senador republicano e presidente da Comissão de Saúde do Senado, criticou fortemente a medida. "As vacinas são extremamente seguras, eficazes e NÃO causam autismo", reforçou o parlamentar, que também é médico. Ele recomendou que os pais priorizem orientações de pediatras, baseadas em ciência, ao invés de decisões políticas sem embasamento.

Impacto e alerta para o Brasil

No Brasil, a principal vacina contra sarampo, caxumba e rubéola é justamente a tríplice viral, aplicada de acordo com o calendário nacional do Ministério da Saúde. O país segue em alerta, especialmente o estado de São Paulo, devido ao aumento de casos de sarampo importados por viajantes internacionais. O debate sobre a obrigatoriedade e a segurança das vacinas também está presente entre alguns políticos brasileiros, que chegam a questionar evidências científicas sobre vacinas e outras medidas adotadas durante a pandemia de Covid-19.

Especialistas brasileiros advertem: enfraquecer campanhas de vacinação pode abrir caminho para o ressurgimento de doenças já controladas. A estratégia de Trump nos Estados Unidos, segundo eles, serve de alerta para o Brasil, onde a manutenção de altas coberturas vacinais é fundamental para evitar novos surtos.

O que acompanhar daqui para frente

A ordem executiva de Trump não altera imediatamente a legislação nos Estados Unidos, já que vacinas obrigatórias são competência dos estados. No entanto, a decisão gera preocupação internacional e pode influenciar grupos antivacina. Pais brasileiros são orientados a seguir rigorosamente o calendário vacinal e confiar em informações de fontes oficiais e científicas.

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