O presidente da Argentina, Javier Milei, voltou a fazer acusações contra o Brasil, afirmando que o país estaria por trás de uma suposta campanha nas redes sociais para prejudicar sua imagem durante a Copa do Mundo. Durante uma coletiva na última terça-feira, 11, o porta-voz do governo argentino, Adrián Ravier, foi questionado sobre as fontes que sustentariam essas alegações. Ravier respondeu que haveria informações que precisam ser avaliadas antes de serem divulgadas.

A controvérsia teve início no dia 25 de julho, quando Milei, em um evento em São Paulo, durante a candidatura presidencial de Flávio Bolsonaro, declarou que uma "campanha antiargentina" estava sendo promovida por forças progressistas, que incluiriam o Brasil. No dia seguinte, ele ampliou suas alegações, afirmando que 25% dos recursos destinados a essa campanha teriam origem no governo brasileiro, além de citar o México e o Partido Democrata dos Estados Unidos como envolvidos.

Segundo Milei, a ofensiva nas redes sociais teria como alvo não apenas sua figura, mas também seu modelo econômico, que ele defende como essencial para o crescimento do país. O porta-voz Ravier também insinuou que a esquerda poderia estar por trás das publicações, questionando os resultados econômicos apresentados pelo governo argentino.

As acusações de Milei geraram uma nova tensão nas relações diplomáticas entre Brasil e Argentina, especialmente após ele ter chamado o presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva de "corrupto" e "ladrão", elevando o tom das críticas entre os dois países. Em 5 de agosto, o chanceler argentino, Pablo Quirno, revisou suas estimativas, reduzindo a participação do Brasil na suposta campanha de 25% para 22%, e mencionou a existência de um relatório que identificaria a origem das publicações, embora o governo argentino não tenha apresentado esse documento até o momento.

Uma publicação feita pelo próprio Milei em 6 de agosto destacou um levantamento do Monitor Digital, que indicou que os países que mais comentaram sobre a Argentina durante a Copa foram: Brasil (22%), México (15%), Estados Unidos (13%) e Espanha (11%). No entanto, o relatório não fornece provas de que esses governos tenham organizado ou financiado uma campanha contra a Argentina. O crescimento da participação brasileira nas redes sociais foi atribuído ao grande número de usuários ativos e à histórica rivalidade entre os dois países no futebol.

Na coletiva de terça-feira, Ravier reafirmou que as fontes das acusações ainda serão apresentadas. Ele enfatizou que seria necessário buscar informações sobre a suposta ligação com o Partido Democrata no Brasil, no México, e também na Espanha, mas que, por ora, não tinha essas fontes disponíveis. O clima entre os dois países permanece tenso, e as próximas semanas podem trazer novos desdobramentos nesse caso, à medida que o governo argentino promete esclarecer suas alegações.

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