José Luiz Felício Filho, presidente e principal acionista da Voepass Linhas Aéreas, foi indiciado pela Polícia Federal (PF) em agosto de 2024 por suposta responsabilidade no acidente do voo 2283. O desastre aéreo, que aconteceu em Vinhedo (SP), resultou na morte de 62 pessoas e está entre os mais trágicos da aviação civil brasileira recente.
Detalhes do Indiciamento
Segundo a Polícia Federal, Felício Filho é apontado como elemento central na investigação, que atribui a ele tanto a negligência quanto diretrizes que teriam favorecido uma cultura de risco dentro da Voepass. Ele integra o grupo de 16 pessoas responsabilizadas pelo acidente. Os investigadores relatam que Felício Filho era o usuário principal cadastrado para receber e assinar avisos e auditorias da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), inclusive notificações sobre graves falhas técnicas.
A apuração indica que, entre gestores e tripulantes, havia estímulo para omitir panes de degelo e protelar o registro de problemas técnicos. Felício Filho, piloto e ex-comandante de aeronaves ATR, manteve envolvimento direto em decisões operacionais da empresa. A PF o classifica como principal garantidor legal da segurança das operações, ao mesmo tempo em que teria priorizado a rentabilidade da companhia sobre protocolos básicos de segurança.
Ascensão e gestão de Felício Filho na Voepass
Filho do fundador da antiga Passaredo, Felício Filho acompanhou o desenvolvimento da companhia desde os anos 1990. Formado como piloto, assumiu o comando da empresa em 2002, acumulando responsabilidades de gestão e atuação técnica direta nas operações. Sua gestão ficou marcada por períodos de crescimento intercalados com desafios financeiros significativos, como a recuperação judicial de 2012 a 2017.
Em 2019, liderou a aquisição da MAP Linhas Aéreas, criando a atual marca Voepass. Após o acidente de Vinhedo, centralizou ainda mais a liderança, dispensando diretores de manutenção e segurança operacional. Relatos de ex-funcionários sugerem que o ambiente corporativo sob sua gestão favorecia manter a frota ativa, mesmo diante de alertas técnicos recorrentes.
Consequências e desdobramentos
Após as investigações e comprovação de descumprimento sistemático dos protocolos de segurança, a Anac cassou o Certificado de Operador Aéreo da Voepass em 2025. Atualmente, a companhia acumula dívidas superiores a R$ 400 milhões, contra os R$ 150 milhões registrados na recuperação judicial anterior.
A trajetória de Felício Filho inclui ainda episódios pessoais marcantes, como o enfrentamento de uma internação grave por Covid-19 em 2020 e a morte do pai em 2023. O indiciamento representa o ápice de uma crise institucional e pessoal para o empresário, que agora responde judicialmente pelas decisões tomadas enquanto esteve à frente das operações da Voepass.
Próximos passos
O caso segue em tramitação nas instâncias judiciais competentes, e a repercussão pode influenciar novas diretrizes sobre segurança e governança no setor de aviação brasileiro. Famílias das vítimas, ex-colaboradores e órgãos reguladores acompanham de perto os desdobramentos. Continue acompanhando as principais atualizações sobre o caso da Voepass e outros destaques nacionais em brasilnow.world
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