Os Estados Unidos, sob a gestão de Donald Trump, revogaram o visto de entrada da embaixadora do Brasil em Washington, Maria Luiza Ribeiro Viotti, nesta terça-feira (4/8), intensificando a crise diplomática com o Brasil. Segundo fontes do Departamento de Estado americano, a medida foi uma reação à demora do governo brasileiro em autorizar oficialmente Daniel Perez como novo embaixador dos EUA em Brasília.
Contexto do impasse diplomático
A decisão de revogar o visto ocorre semanas após o Itamaraty negar a concessão de vistos para dois funcionários do Departamento de Estado norte-americano, Riley Barnes e Samuel Samson. O motivo divulgado foi a suspeita de que a visita dos funcionários poderia ser usada para questionar o sistema eleitoral brasileiro, contexto agravado por recentes declarações públicas de políticos americanos e pelo anúncio do nome de Perez para a embaixada sem a tradicional solicitação formal do agrément, praxe diplomática considerada fundamental.
O governo brasileiro, liderado por Luiz Inácio Lula da Silva, manifestou forte repúdio à decisão dos EUA, classificando o ato como hostil e negando as justificativas americanas. Em nota oficial, o Ministério das Relações Exteriores acusou Washington de adotar uma postura baseada em motivações ideológicas e de tentar interferir nas eleições nacionais. O Itamaraty reforçou que não havia prazo estabelecido para o agrément a Perez e condenou o anúncio antecipado de seu nome pela Casa Branca.
O impacto na relação Brasil-EUA
A revogação do visto de Maria Luiza Ribeiro Viotti interrompe o fluxo normal do corpo diplomático entre os dois países e representa um marco inédito nas relações Brasil-EUA. A embaixadora brasileira, que não foi expulsa nem declarada persona non grata, precisará de um novo visto caso saia dos Estados Unidos. Essa medida, conforme observou o diplomata aposentado Rubens Barbosa, cria um "precedente perigoso" no histórico diplomático brasileiro.
Além do embate em torno dos vistos, o cenário é agravado por episódios recentes, como a recusa do Itamaraty em conceder vistos a servidores americanos e a acusação do governo brasileiro de que representantes dos EUA poderiam incentivar narrativas de desconfiança sobre as urnas eletrônicas nacionais. O Departamento de Estado dos EUA, sob comando do senador Marco Rubio, conhecido por críticas ao governo brasileiro e ligação à direita política, rebateu as acusações, atribuindo motivação injustificada ao Brasil.
Biografias e próximos passos
Maria Luiza Ribeiro Viotti é uma diplomata experiente, primeira mulher a liderar a embaixada do Brasil em Washington, tendo assumido o cargo aprovada pelo Senado em 2023. Sua carreira inclui passagens pelas Nações Unidas, Alemanha e altos cargos no Ministério das Relações Exteriores. Já Daniel Perez, nomeado por Trump para a embaixada americana no Brasil, ainda aguarda aprovação do Senado americano e é visto como aliado próximo do ex-presidente americano.
Analistas como Oliver Stuenkel, professor da Fundação Getulio Vargas (FGV), avaliam que a decisão aumenta a tensão e a pressão sobre o Brasil, mas não acreditam que a resposta brasileira deva ser imediata. Com o impasse, ambos os países caminham para uma fase de relações diplomáticas congeladas, sem embaixadores efetivos nos respectivos territórios.
A crise expõe fissuras profundas na parceria e pode afetar temas centrais da relação bilateral, como cooperação econômica, segurança e democracia. O desfecho do episódio dependerá das próximas sinalizações dos governos, em especial quanto à autorização de Daniel Perez e à eventual normalização dos vistos.
Fique por dentro das últimas notícias da política internacional em brasilnow.world



