O ex-governador Anthony Garotinho (Republicanos) anunciou nesta semana a nomeação de André Monteiro, ex-integrante do Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope) e filiado ao Democrata, como seu novo candidato a vice na corrida pelo governo do Rio de Janeiro. Esta é a terceira alteração no posto de vice em menos de um mês, marcando uma campanha marcada por incertezas e estratégia focada em segurança pública.

Trocas recorrentes de vice marcam campanha

A instabilidade começou com a saída do coronel da reserva Venâncio Moura (Democracia Cristã - DC), confirmada poucos dias após a oficialização da chapa, em 25 de julho. A parceria entre Garotinho e Moura, que havia sido celebrada durante a convenção partidária na Tijuca, Zona Norte do Rio, durou apenas três dias. O rompimento ocorreu após o DC declarar apoio a Eduardo Paes (PSD), deixando Garotinho sem vice e ampliando o clima de indefinição.

Em seguida, a major Elaine Gonçalves (Democrata) foi escolhida para a vaga, mas também deixou a chapa poucos dias depois. Em vídeo divulgado nas redes sociais, Elaine declarou que se tratava de uma decisão pessoal, tomada após reflexão, e afirmou: “Não continuarei a minha participação nessa candidatura. Foi uma decisão minha, tomada com consciência e responsabilidade”.

Nova vice aposta em reforço do discurso da segurança

Com a chegada de André Monteiro à chapa, Garotinho amplia sua narrativa centrada no combate à violência no Rio de Janeiro. O ex-governador prometeu, durante a convenção, que pretende enfrentar o tráfico, as milícias e também a Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), que chamou de parte dos desafios da segurança pública local.

Entre as propostas mais contundentes, Garotinho defendeu a criação do "Bope 2.0". O projeto prevê que equipes de elite da Polícia Militar permaneçam nas comunidades pelo tempo que for necessário para reestabelecer a ordem, diferentemente de operações pontuais que vêm sendo adotadas. A escolha de Monteiro, que tem histórico ligado a essas operações, reforça a intenção da campanha de usar o tema como principal bandeira eleitoral.

Rupturas e repercussão política

O curto período das alianças marcou negativamente a credibilidade da chapa de Garotinho. Após seu desligamento, Venâncio Moura demonstrou insatisfação nas redes sociais, alegando ter sido traído pelo próprio partido durante o processo. Já Elaine Gonçalves optou por não polemizar, atribuindo sua saída a motivos pessoais.

Apesar das saídas, a chapa de Garotinho permanece na disputa, agora com um vice alinhado à sua principal pauta. Os movimentos são acompanhados de perto por adversários e aliados, que observam como as frequentes trocas podem impactar sua campanha diante do eleitorado fluminense.

Próximos passos e cenário eleitoral

Com as definições recentes, o grupo de Garotinho tenta estabilizar a chapa e fortalecer o discurso de combate à criminalidade. A escolha de André Monteiro simboliza o compromisso do candidato com a segurança, enquanto busca garantir a confiança do eleitor e evitar novas rupturas.

A evolución da disputa pelo governo do Rio segue sendo uma das mais observadas do país, pela histórica volatilidade do cenário político fluminense. Os próximos meses serão decisivos para a consolidação das alianças e das propostas apresentadas.

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