Um novo guia destinado a evitar a sexualização das atletas durante as transmissões de competições de atletismo foi implementado nesta segunda-feira (10) no Campeonato Europeu, realizado em Birmingham, na Inglaterra. Essa iniciativa, desenvolvida pela União Europeia de Radiodifusão (UER), tem como objetivo garantir uma cobertura mais respeitosa e adequada das competições femininas.
As diretrizes foram criadas com a colaboração de diversas atletas, incluindo a medalhista de bronze olímpica britânica Holly Bradshaw, que enfatizou a importância de como o esporte é retratado na mídia. "A forma como nosso esporte é mostrado pode ser extremamente poderosa, mas também prejudicial. Muitas vezes, as câmeras se concentram em ângulos que não são apropriados, causando desconforto tanto para as competidoras quanto para as telespectadoras", afirmou Bradshaw.
Além de Bradshaw, outras atletas, como a saltadora com vara francesa Marie-Julie Bonnin, também expressaram suas preocupações sobre a cobertura de suas performances. Bonnin destacou que se sente incomodada com a forma como as câmeras capturam determinadas posições, afirmando: "Eu pratico esporte e não quero que filmem a minha bunda".
Dentre as novas regras, a UER estabeleceu que ângulos de câmera considerados constrangedores, como aqueles que filmam de baixo para cima, serão evitados. A intenção é que as transmissões não coloquem as atletas em situações desconfortáveis, além de promover uma representação mais digna no esporte.
Glen Killane, diretor executivo de esportes da UER, ressaltou que a sexualização das atletas continua sendo um problema em muitas transmissões esportivas. Ele enfatizou que a abordagem da cobertura deve ser repensada, com a eliminação de planos que focam excessivamente nos corpos das atletas ou utilizam replays desnecessários em câmera lenta. Segundo Killane, a ideia é criar uma experiência de visualização que não diminua o valor esportivo das competições femininas.
A velocista britânica Amy Hunt também participou das discussões e afirmou que este é um tema crucial a ser abordado. "Conforme a tecnologia avança, é necessário que haja uma reflexão sobre como somos filmados. É uma mudança muito bem-vinda e essencial para que possamos nos sentir confortáveis durante as competições", disse Hunt.
A implementação dessas diretrizes é um passo significativo para garantir que as mulheres no atletismo sejam tratadas com o respeito que merecem, tanto nas competições quanto nas transmissões que as exibem. Com essas mudanças, espera-se que outras federações esportivas também adotem medidas semelhantes em suas coberturas.
A UER promete acompanhar de perto a eficácia dessas novas diretrizes durante o Campeonato Europeu de Atletismo, que ocorrerá de 10 a 16 de agosto. As expectativas são de que esta iniciativa contribua para um ambiente mais saudável e respeitoso nas competições esportivas femininas.


