O nome de Daniel Anthony Perez, indicado pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para assumir a embaixada norte-americana em Brasília, foi aprovado pelo Senado dos EUA na última sexta-feira (7 de agosto de 2026). No entanto, Perez ainda precisa do aval formal do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva para assumir oficialmente o posto diplomático em território brasileiro.
Trajetória de Daniel Perez
Nascido em Nova York, Daniel Perez, de 39 anos, é filho de imigrantes cubanos que se mudaram para a Flórida nos anos 1990. Ligado ao Partido Republicano, Perez ingressou na vida pública ao ser eleito para a Câmara dos Representantes da Flórida em 2017, cargo que ocupava até a última semana, quando renunciou para se dedicar à missão diplomática.
Além de experiência legislativa, Perez possui formação em ciência política e criminologia pela Universidade Estadual da Flórida, além de ter se graduado na Faculdade de Direito da Universidade Loyola de Nova Orleans. Ele já atuou como consultor jurídico em empresas e escritórios privados renomados. Em 2024, assumiu a presidência da Câmara da Flórida, tornando-se o terceiro cubano-americano a ocupar tal função.
Apoio a Trump e temas internacionais
Ao longo de sua carreira política, Perez demonstrou publicamente alinhamento com as políticas de Donald Trump e também com o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio. Em janeiro deste ano, Perez manifestou apoio à operação norte-americana que levou à captura de Nicolás Maduro, em Caracas, declarando que as ações de Trump seriam decisivas para a segurança hemisférica.
Impasse diplomático
O cargo de embaixador dos Estados Unidos no Brasil está vago desde janeiro de 2025, com a saída de Elizabeth Bagley. Mesmo após a aprovação do Senado norte-americano, a nomeação de Perez depende do chamado "agrément" — a autorização oficial do governo brasileiro.
O Planalto, no entanto, decidiu postergar a decisão até após o segundo turno das eleições nacionais. A expectativa inicial era que Perez integrasse a missão diplomática antes do primeiro turno, mas o processo foi atrasado porque a administração Trump só formalizou o pedido de agrément depois de anunciar publicamente a indicação. Tradicionalmente, o trâmite diplomático ocorre em ordem inversa.
Em resposta ao adiamento do aval brasileiro, o governo dos EUA revogou o visto da diplomata brasileira Maria Luiza Ribeiro Viotti, que atua em Washington, sinalizando a tensão entre os governos neste contexto. Apesar da demora, integrantes do governo brasileiro afirmam que não pretendem rejeitar o nome de Perez, mas o processo só deve avançar a partir de novembro.
Próximos desdobramentos e análise
A nomeação de Daniel Perez é um capítulo importante das relações diplomáticas entre Brasil e Estados Unidos, especialmente nesse período de transição política. A definição do novo embaixador deve ocorrer após o calendário eleitoral brasileiro, com impacto direto sobre o diálogo entre os dois países nos próximos anos.
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