Um estudo recente da empresa Bow-e revelou que 72,6% dos consumidores brasileiros desejam a possibilidade de escolher seu fornecedor de energia elétrica a partir de 2028, quando está prevista a abertura do mercado livre de energia para residências. Atualmente, esse mercado movimenta aproximadamente R$ 150 bilhões, mas as tarifas elevadas podem comprometer a expectativa de tarifas mais baixas, devido a distorções nos preços e altos custos operacionais.

A pesquisa, que abrangeu mais de 200 consumidores em todo o Brasil, destaca que 60% dos entrevistados não estão cientes da mudança que permitirá que os consumidores residenciais tenham liberdade de escolha em relação ao fornecedor de energia. Hoje, o mercado livre é acessível apenas a grandes indústrias e empresas, que conseguem tarifas até 30% mais baixas do que as praticadas pelas distribuidoras de energia do mercado cativo.

Apesar do otimismo em relação à abertura do mercado em 2028, a realidade pode ser mais complexa. Especialistas alertam que as tarifas do mercado livre podem não ser tão vantajosas quanto se espera, especialmente considerando as distorções na formação de preços que têm sido exacerbadas pelo uso frequente de usinas térmicas, que elevam o custo da energia. Se essas condições persistirem, os consumidores, embora ganhem a liberdade de escolha, podem não encontrar preços competitivos em relação ao que pagam atualmente.

O levantamento da Bow-e também revela que, em um cenário onde as tarifas do mercado livre se tornam realidade, a expectativa é de que os índices de desconto diminuam drasticamente, possivelmente reduzindo pela metade o percentual de desconto atualmente disponível. Um dos fatores principais que motivam a escolha do fornecedor de energia, conforme apontado por 67,4% dos entrevistados, é o preço da tarifa, seguido pela qualidade do atendimento e por fontes de energia renovável.

No Brasil, as tarifas residenciais são consideradas elevadas, superando as de 70 países, mesmo com uma matriz elétrica reconhecidamente limpa, composta principalmente por hidrelétricas e fontes renováveis. Um estudo do Centro de Liderança Pública (CLP) indicou que a tarifa média residencial no Brasil atinge US$ 0,357 por quilowatt-hora, cerca de R$ 1,83, o que é superior ao custo em nações como China e Canadá. Essa disparidade se deve a uma composição complexa da fatura de energia, onde aproximadamente dois terços são formados por encargos e impostos.

A pesquisa também revela que a abertura do mercado em 2028 deve permitir que cerca de 90 milhões de consumidores residenciais ingressem no mercado livre, o que representa um aumento exponencial em relação às atuais 85 mil unidades consumidoras de alta tensão. Essa transição, no entanto, requer um esforço significativo para educar os consumidores sobre as mudanças e as opções disponíveis, para que possam tomar decisões informadas. Ciro Neto, CEO da Bow-e, enfatiza que o desafio do setor elétrico não está em despertar o interesse, mas em garantir que as pessoas tenham acesso às informações necessárias para compreender como o mercado funcionará.

O futuro do mercado livre de energia no Brasil é promissor, mas enfrenta desafios estruturais importantes. Medidas regulatórias e de redução de custos serão cruciais para garantir que a abertura do mercado realmente traga benefícios aos consumidores. Com a previsão de um crescimento no número de consumidores e a necessidade de reformas significativas, o setor elétrico terá que se adaptar para atender às demandas de um novo cenário.