A ministra Cármen Lúcia, do Supremo Tribunal Federal (STF), voltou a defender a ampliação da presença feminina na mais alta corte do Judiciário brasileiro. Durante sua participação no evento "BBC World Service: Trust is Earned", realizado nesta sexta-feira (14), a magistrada destacou que a paridade de gênero nos órgãos de Estado é fundamental para refletir a realidade da sociedade brasileira.
Cármen Lúcia, atualmente a única mulher entre os 11 ministros do STF, não hesitou em afirmar que o ideal seria uma Corte composta integralmente por mulheres: "É desejável que fôssemos as 11 mulheres, aí teria igualdade", declarou. A ministra lembrou que a história do tribunal já registrou momentos em que todos os integrantes eram homens, sugerindo que agora seria o momento de uma inversão para alcançar justiça equitativa.
O desafio da representatividade feminina
Segundo a ministra, a população feminina é maioria no país e, por isso, precisa estar adequadamente representada nos espaços de decisão, como o STF. "Não é possível que tenhamos órgãos de Estado que não contem com uma representação adequada", reforçou a magistrada diante da plateia do evento. Ela destacou que a presença equilibrada de gêneros contribui para decisões mais justas, ao unir diferentes visões de mundo.
Cármen Lúcia lembrou que, há meio século, eram raríssimas as mulheres no Direito, na advocacia ou na magistratura, o que limitava o acesso a cargos de poder. Embora o cenário tenha evoluído ao longo dos anos, ela ressaltou que é preciso avançar mais rapidamente para garantir oportunidades reais e espaço de voz.
Mobilização social por igualdade
Os movimentos sociais, de acordo com a ministra, têm papel crucial na conquista da paridade. Como exemplo, Cármen Lúcia mencionou o recente encontro do grupo Mulheres do Brasil, liderado pela empresária Luiza Trajano, que reuniu milhares de participantes em busca de igualdade de representação na sociedade e nas instituições do Estado.
A ministra acredita que compartilhar o espaço do STF com outras mulheres reforça a luta e amplia a compreensão das demandas femininas no país. "Do ponto de vista social e jurídico, claro que é muito mais confortável quando temos outras mulheres compartilhando essa visão, reforçando aquilo que estamos reivindicando", afirmou.
Paridade de gênero: uma questão de justiça
Para Cármen Lúcia, a busca por equilíbrio na representação vai além das estatísticas: trata-se de assegurar a democracia e ampliar a qualidade das decisões no STF e em outros órgãos públicos. Com mulheres representando cerca de 53% da população e do eleitorado brasileiro, segundo a ministra, é fundamental ampliar sua participação efetiva em todos os níveis do Estado.
O debate sobre igualdade de gênero segue em destaque entre entidades civis e organizações do setor público. Nas próximas indicações para o STF e outras instituições, a expectativa é que o tema da representatividade feminina continue em pauta.
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