O Brasil apresenta uma oportunidade significativa para monetizar sua transformação ecológica através dos Resultados de Mitigação Transferidos Internacionalmente (ITMOS), conforme estabelecido no Acordo de Paris. Contudo, o país ainda enfrenta desafios regulatórios que atrasam sua implementação, enquanto outras nações, como Gana e Tailândia, já estão colhendo os frutos desse mecanismo.

O Potencial Brasileiro

Atualmente, o Brasil emite cerca de 2,1 bilhões de tCO₂e, e sua Contribuição Nacionalmente Determinada (NDC) estabelece uma meta de redução de 59% a 67% até 2035. O Novo Brasil — Plano de Transformação Ecológica, coordenado pelo Ministério da Fazenda, já mobilizou mais de R$ 500 bilhões em financiamento sustentável e ampliou o Fundo Clima em 316 vezes, projetando um impacto de R$ 772 bilhões até 2050. Esse plano é estruturado em seis eixos principais, incluindo finanças sustentáveis e economia circular.

O Que São ITMOS?

Os ITMOS funcionam como uma commodity climática, permitindo que o Brasil exporte a redução de emissões de CO₂ como ativos financeiros para países que precisam cumprir suas metas climáticas. Essa exportação ocorre mediante autorização governamental e pode gerar receitas significativas para o Brasil, que possui 66,3% de seu território coberto por vegetação nativa e a maior biodiversidade do planeta.

Enquanto o Brasil discute como avançar nesse sentido, Gana já se tornou um modelo global, tendo transferido 11.733 ITMOs para a Suíça em julho de 2025, resultando em receitas que variam entre USD 234 mil e 293 mil. A Tailândia, por sua vez, realizou a primeira transferência de ITMOs do mundo em dezembro de 2023, com um programa de ônibus elétricos, a um preço médio de USD 30 por tonelada.

Desafios e Oportunidades

O Brasil já aprovou a transição de 80 projetos de Mecanismos de Desenvolvimento Limpo (MDL) para o PACM, mas esses projetos estão em diferentes estágios de validação. O mecanismo do Artigo 6.4 do Acordo de Paris oferece uma via operacional para o Brasil, enquanto o arcabouço do Artigo 6.2 amadurece. Essa configuração permite que o país explore ativos em estágios avançados de desenvolvimento.

A oportunidade apresentada pela COP30 em Belém deve ser aproveitada para acelerar a implementação dos ITMOS. O Brasil não precisa escolher entre rigor e agilidade; é possível ter ambos, utilizando Mínimos Produtos Viáveis (MVPs) que demonstrem confiabilidade e eficácia.

Conclusão

O Brasil possui um potencial significativo para monetizar sua transformação ecológica, mas a falta de um marco regulatório claro e ágil pode custar caro. O tempo é um fator crucial, e a inação pode resultar em divisas perdidas, o que torna urgente a definição de uma estratégia eficaz para a implementação dos ITMOS.

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