O Brasil vem registrando uma queda em sua participação no mercado de emissões de dívida externa da América Latina em 2024. Dados recentes mostram que a fatia brasileira nas captações internacionais caiu de 21% para 19% neste ano. Apesar da redução relativa, especialistas destacam que o volume total levantado, em torno de US$ 20 bilhões, supera os resultados de anos anteriores e deve ser visto como avanço positivo para o mercado nacional.
Volume expressivo na região, apesar das incertezas globais
O mercado de títulos de dívida para emergentes segue aquecido na América Latina, mesmo diante de cenários de volatilidade e de eventos geopolíticos. Segundo Adrian Guzzoni, Head Latam de Debt Capital Markets do Citi, as incertezas em países do Oriente Médio e a oscilação dos preços do petróleo não abalaram o apetite dos investidores. "O investidor tem liquidez e busca mercados emergentes, sendo a América Latina uma das regiões mais estáveis neste momento", afirma Guzzoni.
De acordo com levantamento da Dealogic, as captações externas na América Latina somaram US$ 121 bilhões em 2024, cerca de 60% do recorde histórico alcançado em 2025 (US$ 202 bilhões). Países vizinhos têm se destacado: o Chile captou mais de €3 bilhões e o Uruguai levantou US$ 1,7 bilhão apenas em julho. Empresas argentinas como a Petroquímica Comodoro Rivadávia também participaram do mercado internacional, com emissão de US$ 400 milhões.
Por que o Brasil perdeu espaço nas emissões?
A retração relativa do Brasil é atribuída, principalmente, às incertezas políticas domésticas. O clima pré-eleitoral e dúvidas sobre os desdobramentos econômicos internos têm levado empresas e governo a adotar postura mais cautelosa na busca por recursos no exterior. Samy Podlubny, responsável pelo mercado de dívida estruturada do UBS-BB, aponta que os eventos de crédito envolvendo grandes companhias brasileiras são vistos como pontuais e não sistêmicos. Apesar disso, observa-se uma espera estratégica para que o cenário nacional fique mais claro.
Grandes emissões brasileiras seguem no radar
Mesmo com menor participação relativa, empresas brasileiras continuaram acessando o mercado internacional em 2024. Destacam-se operações da Alloha, que emitiu US$ 350 milhões pagando retorno de 11,95% ao ano, e da Oceânica Oil Services, que levantou US$ 650 milhões. Os executivos do setor acreditam que, a partir de setembro, mais empresas brasileiras devem buscar captações, aproveitando janelas de oportunidade e a elevada liquidez global.
Expectativa positiva para próximos meses
O mercado de dívida externa para emissores latino-americanos continua resiliente e aberto para ofertas, inclusive do Brasil. As perspectivas são de que, com maior estabilidade interna, emissores brasileiros possam retomar liderança regional. Investidores globais seguem de olho nos mercados emergentes e apontam a América Latina como destino atrativo diante do cenário de juros baixos nos países desenvolvidos.
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