O ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa, garantiu nesta quarta-feira (17) que o governo brasileiro não irá vincular as discussões comerciais em andamento com os Estados Unidos ao calendário das eleições presidenciais americanas. O posicionamento foi apresentado durante coletiva para esclarecer a estratégia brasileira diante das novas sobretaxas aplicadas por Washington sobre produtos nacionais.

Brasil adota postura independente perante eleições nos EUA

Segundo Márcio Elias Rosa, o Brasil tratará a questão das tarifas como um processo estritamente econômico e comercial. O ministro enfatizou: "Não há, na parte do Brasil, nenhum atrelamento à questão eleitoral." O governo brasileiro reforça, assim, que as tratativas seguirão de forma técnica, mesmo às vésperas do pleito nos Estados Unidos, previsto para novembro.

Sobretaxas americanas motivam pedido do Brasil na OMC

A iniciativa do governo brasileiro ocorre após a imposição de dois conjuntos de sobretaxas pelos Estados Unidos. Uma das medidas estabelece taxa adicional de 25% para determinados produtos brasileiros. Outra, uma tarifa de 12,5%, é aplicada a exportações de países incluídos em investigação americana sobre trabalho forçado. O Brasil considera essas tarifas "ilegais" de acordo com as regras da Organização Mundial do Comércio (OMC) e afirma que são prejudiciais ao setor produtivo nacional.

Em julho, o Brasil encaminhou pedido formal de consultas à OMC, buscando contestar as medidas americanas. O governo brasileiro sustenta que essas iniciativas são incompatíveis com os acordos multilaterais e, por isso, espera avançar através do diálogo institucional.

Negociação é prioridade, mas reciprocidade não está descartada

Apesar do tom diplomático, Márcio Elias Rosa alertou sobre a abertura de um processo para avaliar possíveis ações de reciprocidade. De acordo com ele, a decisão sobre eventuais contramedidas dependerá dos estudos técnicos realizados pelos ministérios envolvidos. "O processo não deve ser concluído antes de dezembro, dada a complexidade da análise sobre os impactos das tarifas americana", explicou.

No entanto, a prioridade continua sendo a busca por uma solução negociada entre as partes antes mesmo do fim do ano. O ministro reforçou que a abertura do processo de reciprocidade não equivale a uma retaliação imediata e que as medidas mais duras só serão adotadas caso o diálogo não avance.

Expectativas e próximos passos

Com a movimentação no âmbito da OMC e a intensificação das negociações, espera-se que o impasse comercial entre Brasil e Estados Unidos encontre solução antes da troca de governo americano. O processo, no entanto, segue sujeito ao ritmo das consultas técnicas, que podem prolongar as discussões para além de 2024.

Fique por dentro das últimas notícias sobre economia e política internacional em brasilnow.world